Análise: Mary Skelter Finale

Pode parecer simples pelo título mas nem sempre os títulos dos jogos japoneses devem ser levados a sério. Mas neste caso Mary Skelter Finale é realmente o capítulo final da série Mary Skelter. Para aqueles que não estão familiarizados com esta série em particular, é um RPG do género dungeon crawler com muitos pontos semelhantes a jogos como Etrian Odyssey. Nele, o jogador navega pelas masmorras numa perspectiva de primeira pessoa enquanto controla os membros do grupo conhecidos como “Blood Maidens” e que normalmente têm nomes a homenagear personagens de contos de fadas.

Cada uma das personagens tem a sua personalidade bem vincada uma série de habilidades que têm correspondência direta às classes standard de um RPG. O jogador é colocado na pele do protagonista, Jack, que pode melhorar o resto das personagens usando uma arma chamada “Mary Gun”. Embora o jogo pareça apresentar uma grande variedade de Blood Maidens exclusivas, quando realmente vemos o combate em acção chegamos à conclusão que são praticamente todas iguais, ou pelo menos, as que recebem a mesma classe irão funcionar exactamente da mesma forma.

Como este é o terceiro e último jogo da série, muitos dos acontecimentos apenas fazem sentido se jogarem os jogos anteriores. Sinceramente se a ideia é jogar o terceiro capítulo de uma série sabendo que existe ligação direta com os restantes capítulos, eu recomendaria jogar os jogos anteriores, até porque neste caso não são muito complicados de encontrar. No entanto caso não tenham qualquer intenção de o fazer o jogo contém um excelente modo de recordação da história que permite ver todas as cutscene, sem narração, dos jogos anteriores, permitindo que os iniciantes experimentem a história completa sem ter que jogá-los. Este modo é até bom para quem jogou os jogos já que permite recordar muito do que se passou nos jogos anteriores e inclui até algum conteúdo fora dos jogos.

A história de Mary Skelter é bastante complicada para explicar em pequenos detalhes, por isso nem sequer vou tentar. Fiquem só com algumas ideias. Existia um organismo vivo conhecido como a Cadeia e este criou um inferno para o mundo, pois pode reproduzir as criaturas conhecidas como Marchens, que têm torturado e massacrado a humanidade. Este último capítulo continua logo após a conclusão dos dois jogos anteriores com as nossas personagens num mundo distópico. Quando as personagens chegam ao seu destino, eles são confrontados por um inimigo extremamente perigoso que divide o grande grupo. É aqui que a estrutura do jogo é muito diferente dos dois jogos anteriores já que a divisão do grupo obriga a que a exploração das masmorras exige trocar as personagens em grupos diferentes para resolver alguns puzzles.

No que toca à história, esta estrutura oferece uma perspectiva interessantes dos eventos e personagens do jogo, no entanto em termos de jogabilidade não cria mecânicas interessantes, já que obriga o jogador a mudar constantemente para diferentes membros do grupo para resolver puzzles simples em masmorras para poder avançar na história. Para piorar as coisas, alguns dos grupos simplesmente não são equilibrados e adequados para certas situações de batalha. Talvez isso seja intencional e este sistema não esteja pensado para desafiar o jogador apenas nos puzzles mas também no combate. Mas intensional ou não, não funciona e está mal implementado. A história em si também podia ser melhor. Imaginem um filme onde os conflitos foram resolvidos no segundo arco da história e só resta o terceiro arco que vai ter a grande batalha final, mas é apenas isso que temos, uma batalha inevitável onde tudo o que dava riqueza à história já aconteceu.

Mary Skelter Finale acaba por ser um final um pouco decepcionante para a série. Os jogos anteriores já tinham data um final decente à série e este último capítulo acaba por ser uma espécie de final previsível que não precisava mesmo de existir.

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