Análise: Bloodshore

Os FMV não são uma novidade. Durante a era da Sega CD foram vistos como uma verdadeira revolução, uma que não foi propriamente bem acolhida pelos fãs, que rapidamente viram os problemas do género e perceberam as suas limitações. Mas havia um problema nessa geração de FMV, os videos tinham pouca qualidade, os tempos de carregamento eram longos e os videos eram curtos. Além disso os jogos prometiam ser bem mais do que aquilo que eram na realidade.

Bloodshore faz parte de uma nova geração de FMVs que aceita as limitações do género e assume aquilo que realmente é. Este tipo de jogo vive essencialmente das suas histórias e funcionam como um filme com caminhos que os jogadores podem escolher. Bloodshore vai buscar inspiração ao género Battle Royale, seja nos jogos como no cinema. Existe muito aqui de filmes como Battle Royale, Squid Game ou Hunger Games, mas com uma mensagem mais anti-capitalista e próxima de humor.

Para começar todas as atuações são muito exageradas. Tudo tem um ar de B-Movie e consigo apreciar Bloodshore por aquilo que é. Bloodshore explora a ideia de um reality show onde uma série de concorrentes vai para uma ilha para se matarem uns aos outros e o vencedor irá tornar-se rico. Suportado por uma enorme empresa, o programa tornou-se o maior programa de TV do mundo e os vencedores são verdadeiras celebridades. Mas nem tudo é o que parece e parece que os vencedores são na verdade escolhidos previamente de forma a assegurar o cumprimento das regras em empresa.

Apesar de cómico e low-budget, Bloodshore consegue cativar com as suas personagens. Maior parte são vloggers e outras celebridades das redes sociais e inscreveram-se para aumentar os seus seguidores. Há uma crítica sobre uma sociedade de aparências e sobre entretenimento no sofrimento dos outros. Maior parte das personagens não são muito elaboradas e como vêm de origens semelhantes parecem um tudo ou nada iguais. Do ponto de vista da jogabilidade, Bloodshore funciona perfeitamente bem. Ninguém esperava muito em termos de jogabilidade num FMV e Bloodshore não inventa naquilo que faz um bom FMV. O jogador tem de fazer algumas escolhas binárias que surgem de vez em quando e que irão para caminhos diferentes na história. O jogo promove que os jogadores explorem todos os caminhos e o objetivo final no jogo é chegar aos 100% de cenas visualizadas.

Nem tudo é muito bom aqui no entanto. Algumas filmagens não são muito boas e muitas envolvem simplesmente caminhar pelo meio do mato. Além disso o jogo parece ter palco numa ilha deserta, mas depois algumas filmagens mostram coisas como uma linha férrea. Não sei até que ponto isso é comum, mas a mim pareceu um pouco estranho.

Bloodshore pode ser um dos melhores exemplos de um FMV e é realmente bom naquilo que é. O problema persiste essencialmente com o género. Se gostam realmente de FMVs Bloodshore pode ser quase perfeito, mas para os restantes jogadores não irá ser mais do que um mau filme.

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