Análise: The Eternal Cylinder

Imaginem um mundo onde todas as formas de vida para sobreviverem têm que estar em constante movimento, já que um gigante cilindro está perpétuamente a mover-se pela superfície e destrói tudo por onde passa. Esta é a original premissa de The Eternal Cylinder e apesar de longe de ser um jogo perfeito, é uma experiência única e que recomendo vivamente.

O primeiro aspeto que salta à vista em The Eternal Cylinder é o aspeto alienígena deste mundo e dos seus habitantes. Este não é um jogo de ação e as adoráveis criaturas que controlamos, os Trebhum são tão adoráveis como estranhas e alienígenas. Não sendo guerreiros, tudo o que eles podem fazer é aspirar e armazenar objetos para consumo posterior, borrifar água e rolar. Mas eles destacam-se por uma habilidade, a sua capacidade de mudança. Ao comer as coisas certas eles podem adquirir mutações que ajudam a navegar o perigoso mundo em que habitam.

Apesar da premissa poder indicar uma fuga frenética ao grande e eterno cilindro, a realidade é que o jogo acaba por oferecer algumas pausas e é até bastante acessível. A Ace Team sempre se destacou por jogos estranhos mas sempre com uma arte fantástica e é bom que o jogo ofereça momentos em que possamos admirar o design aqui presente, desde as paisagens até às criaturas. Por vezes o cilindro é bloqueado por torres que abrandam o seu progresso, criando verdadeiros oasis onde podemos explorar, experimentar mutações e explorar ruínas onde encontramos desafios e consumíveis raros.

O cilindro não é o único perigo que encontramos, também temos de nos preocupar com pequenos sentinelas que servem o cilindro e que têm a irritante habilidade de nos retirar mutações. As secções calmas são um dos destaques do jogo porque nos permitem conhecer este mundo, como melhorar os nossos Trebhum ou até encontrar novos. Podemos admirar as outras formas de vida e o ambiente, mas assim que saímos destas zonas seguras tudo se torna uma fuga frenética até ao próximo abrigo, onde todas estas coisas que nos maravilharam à pouco são obstáculos a evitar.

O controlo que sentimos ter não é perfeito, muito pelo contrário. Os nossos Trebhum não são de todo feitos para um controlo preciso e a sobrevivência recai sobretudo sobre o número de Trebhum que temos e algumas das suas características e nunca na habilidade de controlar muito bem um deles. Mas se por um lado o jogo é difícil, por outro também pode perdoar excessivamente. O narrador é extremamente generoso com dicas e orientação e os elementos de sobrevivência são discretos. Os Trebhum têm fome e sede, mas ambos são fáceis de saciar.

Apesar de tudo aquilo que faz bem e o seu conceito original, quando esprememos tudo, The Eternal Cylinder é bastante linear e semelhante a outros jogos baseados em melhorarias em série. No fundo acaba por ser um jogo bastante tradicional mas mascarado de algo bem mais estranho, mas isso também faz com que o jogo consiga parecer estranho e original mas também familiar ao mesmo tempo e pessoalmente consigo ver isso bem mais como uma virtude do que um problema.

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