Análise: The Good Life

Depois de um longo desenvolvimento The Good Life vê finalmente a luz do dia. Não é fácil passar por um desenvolvimento tão atribulado e mesmo assim lançar um produto bom, mas apesar das suas limitações e falhas, The Good Life não é de todo um mau jogo, apesar de em muitos aspetos parecer datado, não em aspetos técnicos como seria de esperar, mas nas abordagens escolhidas para as suas mecânicas.

O jogo segue a jornalista Naomi Hayward e o seu objetivo de pagar uma dívida astronomicamente grande com a Morning Bell News, descobrindo os segredos que se escondem sob a superfície da cidade que já foi mais feliz da Inglaterra. No final de cada missão principal, uma parte da dívida de Naomi é perdoada. O jogo faz um excelente trabalho em criar toda esta cidade recheada de mistérios absurdamente diversos e as missões são bastante variadas, indo desde encontrar documentos confidenciais numa base militar secreta até coisas do dia a dia como estragar uma festa. A história é exagerada e não podemos levar o jogo muito a sério, mas é divertida, a escrita por outro lado nem sempre é boa, sendo por vezes infantil.

É quando paramos para pensar nos detalhes da história que o jogo acaba por funcionar pior. Nada do que fazemos e o jogo nos conta faz grande sentido para dizer a verdade, por isso é realmente preferível ignorar, até porque o jogo nunca explica nada. Mesmo os elementos narrativos que inicialmente parecem importantes recebem esse tratamento confuso. É como se algumas missões ou textos tivessem sido pensados nas várias fases de desenvolvimento do jogo e ninguém tenha realmente passado os olhos em tudo o que acabou por ser lançado, já que algumas informações são contraditórias até.

A jogabilidade em si também é o resultado deste processo de desenvolvimento longo e cheio de recomeços. The Good Life é um mistério de assassinato, mas também um simulador de vida com recursos colecionáveis ​​para fazer refeições ou criar roupas e poções. Mas por vezes também temos combate e mecânicas de jogo de sobrevivência com sistemas como fome. Alguns elementos estão bem implementados, mas em conjunto estão longe de funcionar. Tudo seria ligeiramente melhor se alguns sistemas não dependessem de outros, mas se gastarem dinheiro ou aprender novas receitas por exemplo não podem gastar em coisas mais importantes e nesse caso porque é que o sistema existe? Existe um frágil equilíbrio aqui e talvez seja possível explorar a maioria dos sistemas, mas não é óbvio e talvez tivesse sido melhor cortar alguns destes sistemas e elaborar um pouco outros, já que apesar de The Good Life ter muita variedade de conteúdo e mecânicas, tudo é muito superficial.

The Good Life também não é muito impressionante visualmente. As texturas são muito básicas e as personagens não têm personalidade. Também o som é pobre, com mudanças bruscas difíceis de perceber e muitas coisas a que nos habituámos em jogos modernos não existem aqui. A realidade é que não posso culpar o desenvolvimento demorado por tudo e algumas das escolhas que parecem datadas aqui já eram datadas quando a campanha de financiamento foi primeiro anunciada.

The Good Life não deixa de ser um jogo divertido e apesar das suas falhas oferece uma história exagerada e divertida por causa disso. É a quantidade de oferta de sistemas que não funcionam bem em conjunto que acaba por ser problemática, mas para muitos a quantidade de elementos pode ser um ponto a favor.

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