Análise: Martha is Dead

Os jogos de terror têm uma variedade considerável, indo desde jogos de ação a jogos onde pouco mais fazemos do que explorar o ambiente. Todos eles tentam assustar e deixar o jogador desconfortável e fazem-no de várias formas. Martha is Dead tenta constantemente fazê-lo com gore e de forma bastante direta, sem grande espaço para subtileza.

Martha is Dead tem como palco principal a Itália rural no ano de 1944, no final da Segunda Guerra Mundial. O jogador encarna Giulia, a filha de um general fascista e depois de um breve flashback em que uma cuidadora nos conta a história horrível de um amante ciumento que mata uma mulher que se transforma num fantasma, Martha Is Dead começa realmente. Começamos por explorar um lago perto da charmosa floresta atrás da casa rústica onde a nossa personagem vive. A irmã da nossa personagem afoga-se e os seus pais vêm a correr para a margem do lago e encontram Giulia a embalar o seu cadáver. A mãe assume que quem morreu foi Giulia porque sempre gostou mais dela apesar dos seus problemas de saúde e a nossa personagem alinha com o engano.

O resto do jogo continua essencialmente no mesmo registo. O enredo vai passando de uma catástrofe macabra para a outra, alternando entre eventos reais e sequências de sonho, onde a normalmente vemos um corpo a ser desmembrado. Existem partes do jogo que me fizeram pensar que a verdadeira inspiração para o jogo foi o filme The Autopsy of Jane Doe. Cada evento significativo em Martha Is Dead é acompanhado por um longo monólogo onde Giulia conta como se sentiu. Raramente a escrita do jogo é decente e estes monólogos além de não serem propriamente bem escritos também não têm uma prestação convincente da parte da voz.

Enquanto a história parece andar por todo o lado e muda à velocidade da luz, o ritmo do jogo é lento. Parece estranho e realmente é. Logo no início encontramos uma câmara antiga, completa com mostradores separados para exposição e foco, além de anexos para tirar fotos em diferentes condições de iluminação e clima e somos encorajados a mexer na câmara e tirar fotos sempre que possível. Para ser honesto, o controlo da câmara não é de todo mau. O jogo tem como palco os anos 40 e para revelar as fotos temos de ir até à câmara escura. Isto poderia ser uma excelente ideia se fosse feita uma ou duas vezes, uma em que é novidade e outra em que reaproveita a jogabilidade. Da primeira vez é realmente interessante, mas à terceira vez é só aborrecido.

A quantidade de vezes em que o jogo nos faz perder tempo está bem acima do aceitável. Existem algumas cenas de sonho que nos fazem correr pela floresta à noite e podiam ser realmente assustadoras, mas basicamente pouco mais fazemos do que escolher caminhos de esquerda e direita e caso não sigamos o caminho certo voltamos ao início. Isto não faz qualquer sentido. Não é divertido, não é assustador, não é nada além de frustrante. Além disto tudo temos ainda história secundárias que não adicionam nada à história e continuam igualmente cansativas.

Existem muitas boas ideias em Martha is Dead. Algumas secções são macabras, outras surreais e no geral havia muita promessa aqui. Visualmente também não é um jogo feio. Está longe dos melhores jogos, mas algumas áreas são bonitas. Infelizmente sofre de alguns problemas técnicos, mas nenhum deles afeta verdadeiramente a jogabilidade. O principal problema de Martha is Dead é que não é memorável. Algumas cenas podem até ficar gravadas, mas ao fim de algum tempo não acredito que se lembrem sequer de que jogo eram.

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