Análise: Glitchhikers: The Spaces Between

Glitchhikers: The Spaces Between é um jogo calmo e introspetivo que é acompanhado por visuais surreais e temas fortes. Os jogos são normalmente associados a ação e é talvez aquilo onde são melhores, mas não faltam no mercado boas experiências onde o foco é outro. Normalmente estes jogos baseiam-se na sua história, mas os bons conseguem colocar o jogador num estado de meditação apenas com a sua atmosfera. Alguns jogos são completamente focados nessa ideia, enquanto que outros são mais abrangentes, contendo apenas momentos de contemplação.

Não há grande história em Glitchhikers: The Spaces Between, aqui o foco é a viagem. O jogo tem realmente como objetivo colocar o jogador num verdadeiro estado zen e para isso ofece quatro tipos de viagens, uma viagem de carro, um passeio no parque, uma noite num terminal de aeroporto e uma viagem de comboio. Em todas estas viagens podemos conhecer outras personagens e falar sobre temas profundos. O jogo faz um excelente trabalho em capturar o sentimento destes momentos, por vezes exagerando em aspetos que nos fazem mais depressa entrar na “mood” certa.

A experiência de Glitchhikers: The Spaces Between é verdadeiramente original e apesar de já ter jogado momentos semelhantes em outros jogos, nenhum outro jogo conseguiu capturar esta essencia com a mesma qualidade. Existem muitas razões para jogar Glitchhikers: The Spaces Between e não digo apenas uma vez. Existem muitas razões para jogar várias vezes a mesma secção, nem que seja para sentir estes momentos novamente. Como referi, não há grande história, mas existem diálogos. Em cada viagem iremos conhecer vários outros viajantes e falar com eles sobre assuntos interessantes e muito abrangentes.

Visualmente Glitchhikers: The Spaces Between é também impressionante, não por apresentar um grafismo de última geração super realista, mas porque consegue capturar visualmente a essência do jogo. O estilo é surreal com uma pitada de retrowave e não podia combinar de forma mais perfeita. Se os visuais assentam na perfeição então a banda sonora só completa da melhor maneira possível o pacote da apresentação. O som é contextual, mudando conforme exploramos o cenário e música vem do mundo do jogo, criando uma sensação de imersão perfeita.

Dificilmente Glitchhikers: The Spaces Between é um jogo para todos. É preciso ter a percepção que os jogos são neste momento mais do que jogos de ação. É um jogo que se afasta da ideia tradicional de um jogo, aproximando-se mais de uma experiência interactiva. É um jogo fantástico naquilo que tenta ser, mas no qual temos de entrar de mente aberta. Alguns dos assuntos que aparecem nos diálogos são fortes e podem até ser desconfortáveis para alguns jogadores. Felizmente o jogo tem uma série de opções que permitem desligar alguns destes temas.

Glitchhikers: The Spaces Between é um jogo fantástico, desde que entrem nele com a mentalidade certa. É um jogo que nos mete a pensar e coloca-nos num estado medidativo. É um jogo realmente interessante que oferece uma experiência única e é muito eficaz naquilo que se propõe a ser.

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