Análise: IKAI

A quantidade de jogos de terror lançados nos últimos anos é enorme. Muitos nunca se tornaram populares, outros tornaram-se populares por se terem tornado virais no YouTube e outros são verdadeiramente bons. IKAI é um jogo inspitado no folclore japonês e apesar da premissa realmente interessante não consegue ser uma experiência gratificante e sólida. Conseguimos ver muitos elementos com potencial aqui, mas quando começamos a somar os elementos que ficam aquém e os que simplesmente não funcionam, o jogo não consegue passar de mediano e jogando conseguimos sentir pouco mais do que frustração.

IKAI tem como palco o Japão Feudal. O jogo coloca-nos na pele de Naoko, uma jovem sacerdotisa que tem que proteger o seu santuário contra forças malignas. A história é contada em grande parte através de monólogos não muito interessantes e notas espalhadas aqui e ali. Existem também algumas tentativas de conectar os eventos com o passado de Naoko mas no geral a execução é fraca. Num jogo como IKAI a história devia ser interessante e apesar de não ser obrigatória para criar um bom jogo, aqui teria ajudado bastante. O cenário em si é bastante interessante, carregado de folclore japonês e algumas das imagens que associamos a ele. O pequeno santuário e a floresta ao seu redor que servem como cenário do jogo parecem lugares pitorescos e recheados de detalhes que adicionam alguma autenticidade ao jogo.

O problema principal do jogo é realmente a execução geral. Apesar de ser um jogo muito curto com apenas 3 a 4 horas de duração, IKAI torna-se aborrecido e a principal razão é o fato de passarmos a maior parte do jogo em ambientes repetitivos e muitas vezes nos mesmos ambientes. Como referi acima, os ambientes são realmente bons, mas quando passamos quase uma hora no mesmo, não posso falar bem do ritmo do jogo. Não demora muito para que uma sensação de repetição se instale. Não ajuda que a jogabilidade em si não faça muito para quebrar a monotonia. IKAI não tem combate, e é estruturado, em sua maior parte, como um daqueles walking simulators que ninguém gosta. Existem alguns puzzles e temos os ambientes para explorar mas é apenas isso.

Os controlos também afetam a jogabilidade de outras maneiras. A velocidade normal de caminhada é lenta, baixar é lento e apesar do jogo não ter combate tem algumas secções de perseguição que o jogo consegue estragar com os controlos. IKAI também dá muita ênfase ao desenho de selos usando um pincel, mas temos que o fazer à mão e quando precisamos de desenhar rapidamente um selo complicado para trancar uma porta antes que um espírito maligno nos alcance, IKAI consegue ser mais frustrante to que assustador. Os puzzles são outro grande foco do jogo, mas também esses são inconsistentes. Embora existam alguns genuinamente divertidos, a maioria dos outros ou são aborrecidos ou demasiado fáceis.

IKAI faz algumas coisas bem. A atmosfera do jogo é fantástica e quando a usa para ser assustadora consegue ser impressionante. É realmente pena que tudo o resto não pareça estar ao mesmo nível. Os visuais não correspondem ao áudio e o jogo tem grandes problemas técnicos e visuais. Mesmo quando tudo está a funcionar como deveria, IKAI parece decente na melhor das hipóteses.

É realmente pena que IKAI não seja melhor. O tema é verdadeiramente fantástico e gostaria que o resultado final fosse melhor. A atmosfera deixa antever grandes coisas, mas depois acabamos a jogar um jogo frustrante e que ao mesmo tempo é curto e repetivo.

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