Análise: Ship of Fools

Não há muito a separar Ship of Fools do tradicional roguelite. Essencialmente se já jogaram um jogo do género sabem exatamente o que esperar aqui. Uma corrida envolve recolher recursos e equipamento e algures acabamos por morrer, utilizando alguma forma de progresso permanente para que a próxima corrida corra um pouco melhor. Um dos aspetos que faz com que Ship of Fools se destaque um pouco é a forma como funciona ao ser jogado em co-op, mas no geral é um jogo que se cola completamente às mecânicas fundamentais do género.

O jogo começa com a nossa pequena criatura a acordar numa praia. Cedo percebemos que uma tempestade cheia de monstros ameaça lançar tudo borda fora. O nosso objetivo é essencialmente encontrar a fonte da tempestade, mas fazê-lo está longe de fácil e vamos lançar-nos ao mar vezes sem conta no nosso navio até conseguir encontrar o que quer que seja. Felizmente com o tempo vamos poder melhorar o nosso navio e com essa ajuda vamos chegar cada vez mais longe.

A jogabilidade do jogo vai buscar inspiração ao género tower-defense. Podemos colocar canhões em quatro locais do nosso navio. Os inimigos vêm de todos os lados e temos de ir alternando os canhões já que são a nossa principal defesa. Para lidar com aquelas criaturas que acabam por conseguir subir a bordo do navio, o jogo conta com combate corpo a corpo também, no entanto é bem mais eficaz conseguir evitar que cheguem ao navio do que tentar atacar diretamente os inimigos.

Os elementos rogue do jogo vêm dos tipos de munições que podemos carregar nos nossos canhões e outros buffs que vamos recolhendo pelo caminho. Como em qualquer roguelite digno de memoria, há uma boa dose de sorte envolvida numa corrida bem sucedida, já que normalmente implica ter recolhido uma série de bons itens. A navegação no jogo faz-se através de um mapa hexagonoral, composto por células que representam vários tipos de locais. Podemos essencialmente escolher por onde queremos ir, existindo desde lojas, a locais de reparação do barco a eventos aleatórios.

A jogabilidade de Ship of Fools não quebra novo território, mas tem uma natureza caótica que torna o jogo viciante. Os visuais do jogo são bastante agradáveis e impedem que se torne demasiado frustrante, ajudando a manter um tom leve no jogo. Infelizmente nem tudo ajuda a esconder alguns problemas do jogo. Existe pouca variedade em algumas áreas. A primeira área por exemplo acaba por se tornar repetitiva em pouco tempo, com os jogadores a rapidamente decorarem os padrões de ataque do leque limitado de inimigos que nos aparece nesta zona.

Infelizmente esta primeira zona acaba por ser repetida demasiadas vezes, tornando a experiência de perder no jogo ainda mais penosa do que deveria ser. Ao contrário de outros jogos do género, quando perdemos em Ship of Fools aquilo que rapidamente nos vem a cabeça é, vou ter que repetir aquele inicio todo outra vez. Jogar com outro jogador torna o jogo muito melhor. Além de tornar o jogo menos caótico, também torna o jogo mais fácil e menos frustrante.

Um jogo deste género pode ser melhor em co-op, mas tem que ser bom para jogar a solo. Ship of Fools é quase um jogo diferente quando jogado a solo, sendo muito mais caótico e dificil. Não se trata de ser um mau jogo, mas consegue-se notar claramente que o foco foi na vertente co-op. Isto nota-se essencialmente no equilíbrio da dificuldade por exemplo. Se têm alguém com quem jogar, Ship of Fools atinge todo o seu potencial.

Ship of Fools não tem muito para oferecer em termos de história também. É um jogo pequeno que é pensado para ser jogado com um amigo e para ser terminado uma vez. Se gostam de roguelikes e tower defense, há muito para gostar aqui, mesmo que não seja um jogo revolucionário que irá oferecer muito mais do que aquilo que está à superfício.

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