Análise: South Of The Circle

South Of The Circle é um jogo com forte foco na história. O jogo segue a história de Peter, um cientista do clima em Cambridge e com uma particular paixão por estudar nuvens. Como se formam, os seus movimentos no céu e as suas propriedades são algumas das muitas coisas que o fascinam. Isto tudo funciona como uma espécie de metáfora para Peter, um homem com uma criança no interior ainda bem viva, num mundo que ainda vive as tensões da guerra fria. Peter quer pensar apenas em núvens, mas os eventos do mundo à sua volta impedem-o de se focar verdadeiramente na sua paixão.

É este conflito e dualidade que faz da história de South Of The Circle tão boa. As escolhas dos jogadores têm um impacto subtil mas real, guiando a narrativa para direções inesperadas. South Of The Circle é um jogo curto, com apenas cerca de três horas de duração, mas a sua história fica connosco bem mais tempo do que a duração do jogo.

O jogo começa com Peter sentado no assento do passageiro ao lado do piloto inconsciente do avião em que os dois acabaram de se despenhar algures na tundra gelada da Antarctica. Com o avião completamente fora de combate e o piloto com a perna partida, Peter tem de procurar ajuda através o ambiente gelado onde se encontra. O jogo alterna entre o presente e o passado, mostrando tanto o perigo em que se encontra neste momento e como pode escapar desta situação, mas também como é que acabou nela.

A história em si é interessante, mas a forma como alterna entre estas duas partes da vida de Peter é fenomenal. O jogo encontra momentos para alternar entre presente e passado que dão ao jogo um aspeto cinematográfico muito interessante. Há sempre uma espécie de transição e quase sempre relacionado com algo que acontece no jogo, seja uma porta a abrir ou uma ventania particularmente forte. O jogo permite também alguma exploração, com itens para encontrar e alguns puzzles para resolver e nestes momentos podemos admirar os visuais do jogo, não tanto pelo detalhe, mas pela arte minimalista que o jogo implementa.

O jogador vai ter que tomar algumas decisão sobre a vida de Peter. Ao contrário de outros jogos do género, aqui não temos dque fazer escolhas de diálogo, mas das respostas emociais que Peter tem de certas situações. Temos apenas alguns segundos para decidir, mas em vez de a não resposta ser uma resposta em si como em outros jogos do género, aqui o jogo simplesmente escolhe uma das outras, o que não me parece ser a melhor solução, mas é apenas um pequeno percalso num caminho até aqui quase perfeito. As escolhas que fazemos são súbtis e o jogo parece bem mais focado em contar a sua história do que nas ramificações que um sistema de escolhas tem de comportar. Mais do que a história em si, o jogo foca-se em temas e usa a vida de Peter para pode falar deles.

Dada a natureza de South Of The Circle, é complicado falar daquilo que a história do jogo faz bem e mal sem entrar em demasiados detalhes que estraguem a história. Posso apenas dizer que o início e meio são bem melhores que o final, esse sim acaba por ser decepcionante, mas há muito para gostar até aí. South Of The Circle foi uma agradável surpresa, mesmo que com falhas.

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