Análise: Togges

Toggles é um jogo indie com um conceito interessante e que se mantém fiel a esse conceito para construir todo um jogo à sua volta. Pelo caminho os seus criadores trabalharam também na sua estética adorável. Este é um daqueles jogos que não podemos descrever comparando-o com outro jogo já que não se assemelha a nada que tenha jogado anteriormente. Basicamente o jogador controla a uma espécie de Roomba que larga caixas chamadas Togges. Em termos de jogabilidade, Togges assemelha-se a um jogo de plataformas, mas não exatamente, já que o objetivo e o verdadeiro desafio é fazer com que os Togges caiam nos locais certos.

A jogabilidade pode parecer simples, mas se entrar em mais detalhe vai começar a parecer confusa. Para ser o mais sincero possível, a jogabilidade é simplesmente inteligente. Conseguir cumprir os objetivos com as regras e restrições dos Togges exige muito mais do que seria de esperar à primeira vista. Apesar dos visuais adoráveis, existem desafios aqui. No geral Togges é uma experiência bastante casual onde os jogadores podem desfrutar dos níveis ao seu próprio ritmo e tentar alcançar qualquer objetivo de qualquer caminho alternativo. Embora existam desafios para superar, obstáculos e situações que exigem habilidades de solução de puzzles, esses momentos acabam por se tornar os favoritos do jogador. Existe alguma falta de consequência para a falha, mas isso não é um problema muito grande aqui.

Espalhados pelo mundo do jogo estão vários tipos de itens, com os dois principais a serem frutas e letras. As letras escrevem Togges e este foi um elemento que achei bastante retro, fazendo-me lembrar os jogos da série Tony Hawk por exemplo. Procurar estes itens escondidos é no geral uma mecânica que tem vindo a desaparecer, sendo substituída por soluções como a que podemos ver no Homem-Aranha da PlayStation. Felizmente a jogabilidade envolvida em encontrar estes itens é soberba, o jogo consegue encontrar formas de parecer fresco mesmo quando parece que já experimentámos tudo o que ele tinha para oferecer.

Nem tudo é perfeito no jogo. Pessoalmente acho que um jogo tem que segurar a mão do jogador pelo menos em certa medida. Não quero com isto dizer que ache que um jogo precise de nos ensinar e reforçar como se joga do início ao fim, mas um jogo deve preocupar-se em que o jogador saiba minimamente o que fazer e para onde ir. Se poder fazer isso de forma integrada na jogabilidade melhor, mas Togges simplesmente se esquece de nos dizer pequenas coisas, coisas essas que são importantes e garantem que podemos prosseguir no jogo.

Togges é um jogo bastante único e adorável. Se gostam de jogos que oferecem experiências diferentes, mesmo que precisassem de limar algumas arestas, Togges pode ser aquilo que estão à procura. É um jogo com um bom equilíbrio na sua dificuldade, mesmo que tenha uma enorme ausência de consequências quando o jogador falha. Não é propriamente um jogo que a grande maioria dos jogadores vá experimentar, mas aqueles que o fizerem vão ser agradavelmente surpreendidos.

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