Análise: Eternal Strands

Eternal Strands é um jogo de ação e aventura que mistura elementos de combate com magia e exploração num mundo aberto. Desenvolvido pela Yellow Brick Games, este título inspira-se claramente em clássicos como The Legend of Zelda: Breath of the Wild e Shadow of the Colossus. A promessa de batalhas épicas contra criaturas colossais e um sistema de magia inovador são alguns dos seus maiores atrativos. No entanto, apesar dos seus momentos de brilhantismo, Eternal Strands apresenta também problemas que comprometem a experiência, nomeadamente uma narrativa monótona e uma estrutura que se torna repetitiva.

Jogabilidade

O combate em Eternal Strands combina ataques físicos com espada e escudo e um sistema de magia variado. No início, o combate corpo a corpo parece básico, mas a introdução de feitiços torna as batalhas mais dinâmicas e estratégicas. Um dos feitiços mais interessantes permite agarrar e atirar objetos ou inimigos, funcionando de forma semelhante à Gravity Gun de Half-Life 2. Outros feitiços incluem a criação de barreiras de gelo, explosões cinéticas e até um pequeno companheiro flamejante que ataca os inimigos. Os confrontos contra os Grandes Inimigos são o ponto alto do jogo. Estas criaturas colossais exigem que os jogadores escalem os seus corpos para atacar pontos fracos, uma mecânica inspirada em Shadow of the Colossus. O desafio está em evitar ataques poderosos enquanto se gere a resistência e os recursos disponíveis. Apesar de a escalada ser fluida, o jogo tende a dar demasiada assistência ao jogador, com avisos exagerados sobre quando agarrar-se à criatura. Ainda assim, a variedade de estratégias disponíveis e a recompensa de novos feitiços após cada vitória mantêm o combate interessante.

Mundo e história

O mundo de Eternal Strands apresenta um cenário de fantasia colorido, mas a sua construção não é particularmente original. A estética cartoonesca lembra Fortnite e há uma grande quantidade de estruturas destrutíveis, o que dá um toque dinâmico à exploração. No entanto, apesar da liberdade para escalar quase qualquer superfície, a exploração nem sempre é recompensadora. Muitos locais altos e aparentemente secretos acabam por não ter qualquer prémio, o que reduz a motivação para explorar. A narrativa segue Brynn, uma jovem Weaver que se vê envolvida numa calamidade mágica conhecida como Surge. Esta destruição levou à perseguição de utilizadores de magia e à criação de um mundo hostil para os seus praticantes. Infelizmente, a história é contada através de longos diálogos estilo novela visual, interrompendo frequentemente a ação. O excesso de exposição e personagens pouco cativantes fazem com que o enredo acabe por ser um dos elementos menos apelativos do jogo.

Grafismo

Visualmente, Eternal Strands apresenta um estilo vibrante e cartoonesco, com animações fluidas e um mundo repleto de cores vivas. A destruição de estruturas adiciona um elemento dinâmico ao ambiente, permitindo abordagens criativas ao combate. No entanto, o design das áreas carece de variedade e os cenários tendem a tornar-se repetitivos após algumas horas de jogo. As animações dos Grandes Inimigos são um dos pontos altos do grafismo. Cada criatura tem uma apresentação impressionante e animações detalhadas que realçam a sua escala e perigo. No entanto, a interface do jogo poderia ser mais intuitiva, especialmente no que toca à gestão de feitiços e equipamentos. Pequenos ajustes na navegação dos menus poderiam melhorar significativamente a experiência do jogador.

Som

A banda sonora de Eternal Strands cumpre o seu papel, mas não se destaca. Durante os combates contra os Grandes Inimigos, a música intensifica-se e acrescenta uma camada extra de tensão, mas fora destes momentos-chave, as faixas sonoras são esquecíveis. Os efeitos sonoros são competentes, com feitiços e ataques a terem um impacto satisfatório. As vozes das personagens são um ponto fraco, especialmente devido aos longos diálogos pouco envolventes. Os atores fazem um trabalho razoável, mas o excesso de monólogos e a escrita genérica impedem qualquer ligação emocional com as personagens. Num jogo que aposta tanto na narrativa, um melhor trabalho na direção de voz poderia ter ajudado a tornar a experiência mais envolvente.

Conclusão

Eternal Strands é um jogo ambicioso que tenta misturar influências de grandes títulos para criar algo único. O combate e a magia são os seus pontos mais fortes, com feitiços criativos que tornam cada luta mais envolvente. Os confrontos contra os Grandes Inimigos são empolgantes e proporcionam alguns dos melhores momentos do jogo. No entanto, o ritmo é frequentemente prejudicado por uma história pouco cativante e missões repetitivas. A exploração, apesar de contar com um sistema de escalada inspirado em Breath of the Wild, raramente é recompensadora, o que reduz o incentivo para desvendar os segredos do mundo. O grafismo e o som cumprem o seu propósito, mas não surpreendem. No final, Eternal Strands é um jogo com potencial, mas que poderia beneficiar de uma experiência mais focada e refinada. Com algumas melhorias e uma sequela que capitalize nos seus pontos fortes, poderá tornar-se num verdadeiro destaque dentro do género.

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