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Análise: Journey

Journey foi um dos melhores jogos que já joguei e um dos 10/10 que dei. Em 2013 disse isto:

Journey quebra muitas das regras dos jogos atuais. É tal como o nome indica uma viagem. Uma pequena viagem de menos de duas horas de que nos vamos lembrar durante anos. Não existe qualquer HUD ou outro elemento que não o cenário e personagem e o sistema online é simplesmente inovador e brilhante. Não há muita informação sobre o seu mundo ou a história, ficando o jogador encarregue de tirar as suas conclusões, portanto se não o jogaram ainda não leiam o próximo parágrafo.


Como se trata de um jogo pequeno, sem qualquer introdução é realmente difícil de falar sobre ele deixando de parte spoilers. Journey como jogo, é bastante simples. Vão percorrer o cenário com uma personagem resolvendo pequenos enigmas e recolhendo alguns símbolos brilhantes que aumentam os nossos poderes, mas o que está por detrás desse pequeno conceito e a forma como é executado é que é realmente brilhante.
Começam por controlar uma pequena personagem que apenas se pode mover normalmente e saltar um pouco e à medida que vão recolhendo símbolos vão ganhando liberdade de movimentos. A personagem tem uma especie de capa que pode representar essa tal liberdade e a sua saúde. À medida que ela aumenta vão poder saltar mais alto, planar e até voar. Isto ajuda bastante na minha interpretação da mensagem de Journey. Começamos o jogo sem poderes alguns, o que representa a infância, e à medida que vamos recolhendo símbolos e progredindo no jogo vamos tendo cada vez mais liberdade, o que representa a idade adulta.

Passamos por momentos bons e maus, o que é representado pelos níveis divertidos no deserto em que deslizamos e voamos pelas dunas acompanhados por alegres criaturas, e pelo nível subterrâneo, negro e repleto de perigosas criaturas gigantes. Durante o jogo são mostradas pequenas cutscenes que nos mostram de uma forma bastante simbólica os cenário que acabamos de percorrer, mas perto do final somos confrontados com uma premonição do final do jogo e com a morte da nossa personagem. Apesar de tudo o que foi mostrado foi sempre real, existe sempre algo que nos diz que isso não irá acontecer.

Infelizmente a morte é inevitável, algo que me parece ser uma analogia perfeita ao ciclo da vida. Após a morte da personagem, esta é ressuscitada pelas mesmas criaturas vestidas de branco para uma última viagem que a leva até à luz visivel desde o início do jogo. Após essa última viagem tudo recomeça e esta é a eterna viagem de Journey. Esta é apenas a minha interpretação, não sei até que ponto está correta, mas se realmente estiver correto, Journey é a representação perfeita do ciclo de vida. Alguns outros pormenores podem também ser ligados a esta interpretação. Graças ao ótimo sistema online outros jogadores podem aparecer no nosso jogo. Nem sempre são jogadores reais, podendo ser controlados pela IA, sendo parte da diversão saber quais são jogadores e quais são IAs. Depois de créditos finais somos informados dos jogadores com quem jogamos.

A forma como estas personagens aparecem e desaparecem, pode fazer também parte da minha interpretação. Sempre que jogamos com alguem sentimo-nos sempre mais seguros e como os jogadores se podem carregar uns aos outros, o jogo torna-se realmente mais fácil e quando nos vemos novamete sozinhos existe realmente um sentimento de solidão. Passar a vida acompanhado é mais facil e se essa era a intenção dos criadores, então ficou bem conseguido no jogo.

Tudo isto junto fazem de Journey um jogo simplesmente fantástico. Flower e flOw são também bons jogos com bons conceitos, especialmente Flower que é também um dos jogos mais belos da PS3, mas Journey é realmente o único que oferece algo de realmente novo, algo que nenhum jogo antes conseguiu. Journey consegue contar uma história sem dizer uma palavra e consegue transmitir uma mensagem bem mais forte que todos os jogos lineares que têm saído ultimamente.

Se ainda não jogaram Journey não há realmente melhor forma de o fazerem.

 

A minha opinião não se alterou minimamente. No máximo passei a gostar ainda mais de Journey. Agora que chega à PS4 está na altura de falar de novo neste fantástico jogo.

O tempo não parece ter passado por Journey. A direção artística que marcou a versão PS3 permitiu que este se mantivesse tão atual como à dois anos. Mas a resolução aumentou para a versão PS4 e quando olhamos para as duas versões lado a lado nota-se realmente a melhoria, com linhas mais definidas e cores mais vivas. Journey corre também de forma muito mais suave com a framerate a subir para os 60 fps.

Infelizmente não há conteúdo novo. O jogo é exatamente o mesmo que saiu à dois anos, portanto a escolha entre comprar ou não o jogo de novo é bem pessoal. Se nunca jogaram Journey na PS3 é quase obrigatório que o façam agora. Se o jogaram apenas uma ou duas vezes quando saiu, então está na altura de voltar a fazer a viagem na PS4. Não há nenhum jogo com a mesma atmosfera de Journey. É uma experiência simplesmente deliciosa que todos os jogadores deviam ter pelo menos uma vez.