Análise: Monster Rancher 1 & 2 DX

O conceito de colecção e batalha de monstros popularizado por Pokémon não era à data um conceito único. O conceito estava longe de ser mainstream mas não teve origem apenas com o exclusivo da Nintendo. Isto não quer dizer que Pokémon não seja o maior responsável pela popularização do género e também por refinar todas as mecânicas que trazem o melhor que o género tem para oferecer à superfície. Outro jogo ajudou a introduzir as bases do género, Monster Rancher, para a PlayStation original em 1997, apresenta várias diferenças nas mecânicas principais, principalmente na aquisição de criaturas, uma vez que Monster Rancher é essencialmente um jogo de reprodução de criaturas, enquanto que Pokémon se baseia em captura.

Depois de quase 25 anos do lançamento original, Monster Rancher 1 e a sua sequela chegam a praticamente todas as plataformas numa versão melhorada dos jogos originais. Este não é um remake, nem sequer chega a ser um verdadeiro remaster já que estes são essencialmente os jogos originais adaptados para funcionar em sistemas modernos. Monster Rancher, como muitas séries que saíram do Japão nos anos 90, tem um histórico um pouco irregular no que toca à sua presença no mercado ocidental. Esta é a primeira vez que o jogo original chega à Europa, pelo menos de forma oficial, já que certamente existiram roms traduzidos ao longo dos anos. Mas oficialmente este pacote com os dois jogos marca a estreia da série por estas terras.

Monster Rancher 1 & 2 DX é um port bastante fiel dos dois primeiros jogos, adicionando algumas melhorias de qualidade de vida que não faziam parte do lançamento original, como mais slots de gravação por exemplo, mas mantém a jogabilidade, som e gráficos dos originais, daí que não considere este um remaster. Os fãs de Pokémon vão automaticamente encontrar muitas semelhanças entre os dois jogos, mas Monster Rancher tem um foco diferente, já que aqui o jogo gira essêncialmente à volta de um único monstro virtual para competir em batalhas e depois podemos cruzá-lo com outros monstros virtuais para criar novas criaturas.

O Monster Rancher original também se destacava de outros jogos semelhantes com a mecânica de ler CDs de música para gerar um monstro aleatório no jogo. A justificação dentro do jogo é que um deus antigo selou monstros poderosos dentro de discos de pedra e os humanos modernos descobriram os meios de abrir os discos e libertar os monstros aí dentro. Esta mecânica teve obviamente que ser trabalhada para esta versão DX, primeiro porque são raros os jogadores que têm CDs de música por aí perdidos e depois porque algumas das plataformas onde o jogo foi agora lançado nem sequer têm drive para ler os CDS. A mecânica foi substituída por uma semelhante que permite aos jogadores pesquisar as suas músicas e artistas favoritos num banco de dados, gerando uma lista de possíveis correspondências que podem ser usadas para imitar a mecânica dos CDs. Infelizmente se os vossos gostos forem pouco mainstream não vão ter muita sorte.

Além dessa alteração não há muito que se possa considerar novo. Visualmente e em termos da jogabilidade o jogo está praticamente igual. Ambos os jogos desta colecção oferecem basicamente as mesmas opções. Os monstros podem ser colocados a trabalhar para melhor as suas habilidades e também ganhar algum dinheiro. Além disso também os podemos treinar de forma mais rigorosa, algo que leva tempo. O jogo tem um tutorial, mas não é muito abrangente e no geral vamos ter que aprender muita coisa sozinhos. Os monstros também não duram para sempre também e ao fim de cerca de três anos em tempo de jogo acabam por morrer, por isso convém que façam criação do monstro antes.

Se gostam do género e de jogos retro Monster Rancher 1 & 2 DX pode ser uma boa proposta. Oferece um retrato daquilo que eram os jogos na época, sem grandes filtros ou melhorias além do essencial. No entanto não é propriamente um jogo perfeito e um clássico, pelo que apenas o recomendo a um público específico.

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