Análise: Citizen Sleeper

Citizen Sleeper é um jogo que nos prende logo no primeiro minuto com a sua premissa. Isto pode ser algo extremamente pessoal, mas há algo nestes futuros distópicos que me agarra logo. Mas Citizen Sleeper não se fica pelo normal e adiciona uma série de elementos interessantes. A personagem do jogo é uma consciência humana que foi digitalizada e implantada num robô desenhado para trabalhar numa mega-corporação. Só esta frase leva-nos a pensamentos éticos interessantes. Já imaginaram serem essencialmente imortais para continuarem a ser escravos?

O jogo não se fica pela premissa, tendo um aspeto muito bom, graças particularmente à direção artística, mas também com a banda sonora soberba. No que toca à jogabilidade o jogo consegue surpreender e assustar ao mesmo tempo, já que nos apresenta novas mecânicas a uma velocidade impressionante. É um pouco assustador, apesar de conseguirmos ver a qualidade de todas essas mecânicas. Felizmente o jogo recompensa os jogadores pelo esforço e paciências e aqueles que continuam a jogar após estes momentos iniciais são recompensados com uma série de bons sistemas que mantêm o jogo interessante ao longo do tempo.

O jogador começa como um Sleeper, um robô criado a partir de uma consciência humana e que pertence a alguém que deve dinheiro à mega-corporação Essen-Arp e para pagar essa dívida, a sua mente foi digitalizada e colocada dentro de uma máquina projetada para trabalhar para eles. Como isso não é vida ela escapou, e a narrativa de Citizen Sleeper começa aí. A história de Citizen Sleeper é simples depois deste inicio e basicamente envolve fugir aos caçadores de recompensas da Essen-Arp. Erlin’s Eye é uma estação espacial que serve como refúgio e é o pano de fundo de toda a história. A estação é fácil de relembrar e fez-me lembrar as cidades de GTA, onde ao fim de pouco tempo a conhecemos como se fosse a nossa cidade. O jogo incentiva o jogador a essa ligação através de missões e dando importância a muitas das zonas, onde curamos a nossa personagem por exemplo.

Os objetivos em si são determinados por uma mecânica de dados única e a sua conexão com a sua condição física. O loop de jogabilidade principal de Citizen Sleeper é simples. Recebemos até seis dados pré-rolados a cada ciclo e quanto mais saudável se for, mais dados ganhamos. Um lançamento de seis dados traz uma chance maior de obter um resultado positivo e uma contagem de dados mais baixa, como dois, vem com uma maior probabilidade de um resultado negativo, o que pode ser bastante prejudicial em alguns casos. Podemos ser estratégicos com os lançamentos, usando um lançamento de seis dados para garantir um resultado positivo num objetivo que realmente precisamos ou num trabalho bastante rentável. Este não é um jogo de ação e maior parte do jogo é ler e fazer escolhas, mas o jogo consegue mesmo assim ser tenso, especialmente graças à banda sonora. Citizen Sleeper usa estes momentos de tensão de forma espaçada mas muito eficaz.

Com um acumular de mãos resultados o jogo pode tornar-se até frustrante. Se não conseguimos ganhar dinheiro por exemplo, então não conseguimos comprar comida e isso vai resultar em pouca energia, o que por consequência afeta a saúde. O jogo oferece algumas formas de regressar do fundo do poço, mas nenhuma delas é fácil ou rápida, pelo que o jogador tem que ter paciência e alguma sorte à mistura, mas com persistência pode recuperar. Citizen Sleeper permite também várias ramificações narrativas e quanto mais jogamos, mais o jogo começa a parecer uma história bastante pessoal.

Citizen Sleeper não é um jogo para quem procura um RPG de ação ou sequer tático, mas é um jogo para quem procura um desafio de lógica com alguma aleatoriedade à mistura. É essencialmente um RPG com um ótimo loop de jogabilidade que o torna difícil de largar. Se são fãs de mundos cyberpunk, Citizen Sleeper pode ser uma excelente proposta.

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